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Introdução: transexuais têm expectativa de vida de 35 anos. O Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo. A disforia de gênero é um fator de sofrimento importante para esta população e o principal motivo de automutilação. O acesso ao serviço de saúde e à hormonioterapia tem potencial de impactar positivamente na qualidade e expectativa de vida dessa população. Objetivo: demonstrar a possibilidade de hormonioterapia e coordenação do cuidado na atenção primária. Metodologia: foi realizada busca ativa de pessoas transexuais no território de uma determinada equipe na Clínica da Família Maria do Socorro na Rocinha - RJ. A equipe estabeleceu vínculo com três pacientes através de visitas domiciliares. Foi realizada interconsulta em conjunto com elas, o médico residente da equipe e um dos preceptores com experiência prévia na área. Todas utilizavam hormônios por conta própria e de maneira incorreta. Duas pacientes demonstraram interesse na cirurgia de redesignação sexual, uma delas apenas na mamoplastia. Todas receberam prescrição ajustada de hormônios feminilizantes, visto que não apresentavam nenhuma contraindicação ao uso dos hormônios. Discussão: o acesso à saúde é frequentemente negado à população transexual, que enfrenta preconceitos e obstáculos ao procurar serviços de saúde. Os profissionais, no geral, não são capacitados para atender essas pessoas - não respeitam o nome social, não reconhecem e não compreendem sua identidade de gênero e sua orientação sexual. A hormonioterapia tem efeito importante sobre a disforia de gênero e qualidade de vida. Existem guidelines internacionais para a atenção primária validados e de fácil aplicação clínica que capacitam profissionais para início e acompanhamento do tratamento. A transformação dos caracteres sexuais repercute positivamente na inserção social dessas pessoas. Com pouca oferta dos serviços em saúde voltados à população transexual, é importante que médicos da atenção primária possam iniciar e coordenar o acompanhamento dessas pessoas em seus territórios.