81456

TDAH na APS: limitações diagnósticas e dificuldades no seguimento

Favoritar este trabalho

Introdução: Representando um dos distúrbios neuropsicológicos mais prevalentes em crianças em idade escolar, o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) representa uma das principais demandas de atendimento pediátrico na ESF. Conduto, tal transtorno ainda é pouco compreendido pelos profissionais da APS, o que gera insegurança no segmento terapêutico e resulta, muitas vezes, em sobrediagnóstico e (hiper)medicalização de uma condição clínica estigmatizante. Almejando uma acurácia mais definitiva ao diagnóstico, fazemos uso do DSM-V, que segmenta os critérios diagnósticos em grupos de impulsividade e desatenção/hiperatividade e revisões bibliográficas atualizadas, mas que possui suas limitações necessitando de ser complementado ao acompanhamento continuado e multiprofissional com psicólogo, neurologista pediátrico, além de apoio familiar e escolar. Objetivo: Discutir a complexidade do diagnóstico e seguimento de TDAH na APS. Descrição: Criança de 11 anos acompanhada pela mãe é atendida pela EqSF com encaminhamento escolar relatando ansiedade e dificuldades de aprendizagem. Anamnese revela duas reprovações escolares e dificuldade de concentração e memória ao realizar pequenas tarefas. Em consulta prévia com pediatra, foi prescrita medicação manipulada: piracetam 100mg, zinco quelado 5mg, acetil-L-carnitina 20mg, ácido lipoico 10mg, piridoxina 20mg, em dose de 10ml de 12/12. Realizado questionário DSM-V, mas com relatos vacilantes fornecidos pela mãe, foi atribuído 5-6 pontos que tornou o diagnóstico em consulta única inconclusivo. Foi descontinuada mediação e solicitada regulação para psicologia e neurologia pediátricos. Discussão: Frente à complexidade diagnóstica de TDAH na APS, são necessários protocolos clínicos adaptados, cuidado multiprofisisonal entre especialistas capacitados, corresponsabilidade familiar - escola - EqSF, além de educação em saúde para desconstruir estigmas e diminuir sobrediagnóstico, (hiper)medicalização e encaminhamentos desnecessários. Conclusão: O TDAH pode ser adequadamente manejado na APS ao se conciliar rede de apoio e acompanhamento médico especializado, mesmo que ainda seja preciso protocolo adaptado à essa complexidade de atenção.