Saúde mental na Atenção Básica
Introdução: O aumento da prevalência dos transtornos mentais tem se tornado uma das principais preocupações dos serviços de saúde no Brasil. Os movimentos da Reforma Sanitária e Psiquiátrica apontam para uma lógica que supere o olhar para a doença em direção ao cuidado da pessoa em sofrimento mental, tendo a Atenção Básica (AB) como lócus privilegiado da atenção. Objetivo: Identificar o contexto e o papel da AB na Saúde Mental. Metodologia: A pesquisa de cunho qualitativo foi realizada com triangulação de dados, por meio de grupo focal com experts que estudam o campo da Saúde Mental/Atenção Básica, e de entrevistas com profissionais da AB. Para a análise dos dados, foi utilizada a Análise de Conteúdo Temático. Discussão: A partir da fala dos entrevistados foram identificadas três grandes categorias relacionadas ao contexto e papel da AB na Saúde Mental: Formação profissional, que evidenciou fragilidades na graduação, especializações e educação permanente para formação sob a lógica da clínica ampliada e da integralidade; Organização dos Serviços de Saúde, que identificou como fatores limitantes para a atenção integral, número excessivo de pessoas na área de abrangência, excessiva medicalização do sofrimento, fragilidade da AB como porta de entrada preferencial, presença de especialistas inseridos na AB somente na lógica assistencialista e incongruência do matriciamento realizado sob a ótica biomédica; Papel da AB, na qual foi identificada a importância do cuidado integral, do trabalho em equipe, do atendimento compartilhado com o CAPS, e trabalho com grupos operativos. Conclusão: A atenção na Saúde Mental ainda se mostra centrada em práticas biomédicas medicalizantes, incongruentes com a proposta da AB e do SUS. A dificuldade de mudança tem relação direta com a formação dos profissionais de saúde, sendo esta, condição fundamental para mudança do olhar e consequentemente das práticas em Saúde Mental, a partir do eixo da integralidade.