Saúde mental na APS: formação e prática em Manaus - AM
Introdução: A Atenção Primária à Saúde (APS), considerada o contato preferencial dos usuários com o sistema, deve responder com resolutividade a maior parte dos problemas apresentados, inclusive às demandas de saúde mental, subentendidas em muitas queixas relatadas durante o atendimento médico. Nesse contexto, observa-se que o médico de família e comunidade (mfc), por ser especialista em integralidade, necessita de formação adequada para desenvolver habilidades no manejo da saúde mental. Objetivo: Analisar a percepção dos mfc sobre a sua formação e conduta com relação à demanda de saúde mental na APS. Metodologia: Estudo qualitativo exploratório descritivo, utilizando-se de entrevista semiestruturada com médicos residentes, médicos especialistas e preceptores dos programas de residência médica em Medicina de Família e Comunidade (MFC) de Manaus, Amazonas. Recorreu-se à análise de conteúdo (BARDIN, 1977) a fim de alcançar o objetivo proposto. Discussão: Até o presente momento da pesquisa, é possível destacar a interrelação entre as demandas de saúde mental e os determinantes sociais em saúde na prática do mfc. As lacunas na formação durante a graduação e residência médica refletem-se na inabilidade ao lidar com essas demandas e na dissociação da saúde mental com a do restante do corpo. Conclusão: A escassez de artigos nessa temática demonstra a falta de atenção das políticas públicas de saúde mental na APS e revela que as questões relacionadas ao cuidado em saúde mental precisam ser detalhadas e intensificadas na formação do médico residente em MFC. As práticas em saúde mental na APS devem contemplar a relação dialógica e interdisciplinar com os demais membros da equipe de saúde, além de espaços comunitários de acolhimento e promoção de autonomia do indivíduo na comunidade.