Saúde e homosexualidade feminina no Brasil
(Introdução e Objetivo) Em revisões bibliográficas, tradicionalmente, busca-se um resumo ou síntese do conhecimento. Esse artigo interdisciplinar faz uso de teorias advindas das ciências sociais para defender uma abordagem alternativa na revisão de artigos publicados sobre sexualidade feminina e saúde no Brasil. (Metodologia) Por meio de uma metodologia etnográfica, na qual ao invés de pessoas publicações científicas são consideradas como participantes da pesquisa, a abordagem possibilita descrever como a saúde das mulheres que fazem sexo com outras mulheres surge dentro do meio acadêmico brasileiro. O foco da análise extrapola a descrição apenas do conteúdo dos artigos investigados, enfatizando aspectos adicionais das publicações como: 1) a influência de uma publicação sobre a outra, através de citações e propagação de conceitos; 2) o contexto e condições que impulsionam publicações de artigos sobre o tema. A observação das conexões entre os artigos explorados descrevem o processo de construção das mulheres lésbicas como vulneráveis à doenças sexualmente transmissíveis, assim como as aspirações de reconhecimento político por meio de publicações científicas. (Discussão e Conclusão) A perspectiva de que artigos científicos vinculam ações que vão além da produção de conhecimento revela os aspectos políticos tanto na motivação quanto no efeito de publicações acadêmicas. O artigo contribui de uma forma singular em debates sobre saúde LGBT e a relação entre movimentos sociais e produção científica.