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Religião e Espiritualidade na Medicina: a Perspectiva dos Estudantes

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Os resultados das pesquisas realizadas atualmente não deixam dúvidas sobre o quanto a dimensão espiritual do paciente orienta e influencia o curso do tratamento. O presente estudo tem como objetivo verificar a perspectiva de 322 estudantes de Medicina da PUCPR do 1º, 2º, 5º e 6º anos em relação às questões ligadas à espiritualidade e à prática médica, assim como identificar as principais dificuldades e possibilidades de integração desse tema no curso de Medicina. O método escolhido para a realização dessa pesquisa é de natureza quantitativa, de tipo survey, de corte transversal, e é classificado como descritivo. O instrumento utilizado para a coleta de dados foi um questionário com 58 questões. Em geral, os estudantes consideram que a religião/espiritualidade influencia muito na saúde dos pacientes (50,27%) ou muitíssimo (29,40%) e que essa influência é geralmente positiva (78,57%). Porém, na prática, pouco mais da metade dos estudantes já tentou alguma vez acessar a espiritualidade dos pacientes (56,4%) e essa abordagem é pouco comum. Quando tentam acessar as demandas espirituais, a maioria dos estudantes não sabe o que fazer com essas informações. A maioria reporta que nunca (55,4%) ou raramente (38,85%) os pacientes pareceram desconfortáveis quando realizada essa abordagem. Porém, paradoxalmente, o motivo que mais desencoraja os alunos a discutir religião/espiritualidade em uma consulta médica é a preocupação de não constranger o paciente (28,43%). O segundo principal motivo apontado pelos estudantes é o conhecimento/treinamento insuficiente (26,38%), sendo que 94,96% dos alunos reportam nunca ter tido nenhum treinamento formal para lidar com essas questões, mas consideram muito (42,39%) ou muitíssimo (22,99%) importante a faculdade preparar/treinar os alunos na abordagem da religião/espiritualidade dos pacientes. Os resultados sugerem que a integração entre espiritualidade/religiosidade e saúde é uma necessidade, mas os estudantes constatam que não recebem o treinamento adequado para oferecer um cuidado espiritual.