Relato de experiência: agendamento ou acesso avançado?
A Atenção Primária em Saúde (APS) é a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) tendo capacidade para resolver 80% dos problemas de saúde de uma população, agregando ações de assistência, prevenção e promoção. Por ser a porta de entrada preferencial e local de acolhimento do usuário no momento da expressão de sua necessidade, a atenção primária deve ter um processo bastante eficaz para abranger o maior número de pessoas, através do acesso avançado. O acesso avançado tem como formato: “Faça o trabalho de hoje, hoje! ”. Ou seja, o usuário deve passar por consulta ou avaliação preferencialmente em no máximo 48 horas. Dessa forma, a APS fica forte e resolutiva, com acesso mais amplo e longitudinal. O objetivo desse trabalho é demonstrar as diferenças e dificuldades enfrentadas com essa mudança organizacional. Neste relato, expomos a experiência vivenciada por um médico residente do Programa de Saúde da Família e Comunidade na Unidade de Saúde da Família Raiff Ramalho, em Campina Grande, Paraíba, constituída por 3 equipes. Um ponto observado nessa vivência, dos diferentes modelos utilizados, foi a dificuldade encontrada para implementação do acesso avançado, tendo em vista que é uma unidade composta por 3 equipes. Ao tratar acerca da possibilidade de mudança sobre o novo modelo, alguns profissionais receberam a proposta de forma bastante resistente e ríspida, justificando que o agendamento é um modelo organizado e que proporciona conforto para o paciente e o profissional. O acesso avançado visa resolver problemas de gestão de agenda de maneira racional, tendo como resultado a satisfação dos pacientes e profissionais menos estressados. Não há um modelo de acesso ao SUS fixo, único ou perfeito, todos estão em constante transformação com a finalidade de atingir a melhor forma de atendimento aos pacientes.