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Relato de caso: Vínculo e o trabalho Multidisciplinar na Integralidade do Cuidado.

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Na última revisão do manual de transtornos mentais DSM-5 (2014), o transtorno de acumulação compulsiva foi caracterizado pela dificuldade e sofrimento em descartar objetos ou animais, independentemente de seu valor. O indivíduo em situação de acúmulo, dispõe os objetos de forma desorganizada nas dependências da casa, dificultando o acesso e o convívio saudável nas residências e na comunidade. Para os profissionais da atenção primária, trata-se de um desafio abordar pacientes nesta situação, em função da relutância dos pacientes em receber as equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBS), além da pressão da vizinhança. Nesta comunicação, relatamos a experiência das equipes de saúde da família (ESF), Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), e Programa Ambientes Verdes e Saudáveis (PAVS), de uma UBS na zona sul de São Paulo, na abordagem e acompanhamento de uma paciente, que desenvolveu o comportamento acumulador, após a separação do marido, quando passou a viver só. Após várias tentativas infrutíferas de abordagem pela ESF, em função da recusa em receber o Agente Comunitário de Saúde, houve uma ação coordenada entre a Enfermeira da ESF e o Agente de Proteção Ambiental para a formação de vínculo. A paciente aceitou que a enfermeira verificasse a pressão arterial, sendo iniciado o tratamento em consulta médica na UBS. Foi iniciado um grupo de atividades físicas na vizinhança, coordenado pelo Educador Físico do NASF, no qual a paciente inseriu-se, ampliando suas relações sociais. Com os vínculos criados pela equipe e com a comunidade, a paciente passou a aceitar as intervenções da equipe sobre o comportamento acumulador, com a parada da coleta de objetos inservíveis e início dos descartes, reduzindo a invasão externa da residência e liberando alguns espaços internos. As lições aprendidas passam pelo vínculo e trabalho em equipe, como perspectivas de sucesso na abordagem do transtorno de acumulação compulsiva.