Reflexões em saúde pública: relato de experiência no Sistema de Saúde Cubano.
A saúde - estado de completo bem-estar físico, mental e social, não só ausência de doenças - é direito fundamental do ser humano e, no Brasil, é dever do Estado garanti-la através do Sistema Único de Saúde (SUS) e demais políticas públicas socioeconômicas. Entretanto, apesar da garantia constitucional, ainda não se conseguiu efetivar o direito à saúde no Brasil. Desse modo, objetivando à ampliação dos conhecimentos em saúde pública e gestão de saúde, bem como contribuir para o ensino médico voltado ao SUS e fortalecer a Atenção Primária a Saúde (APS) e a Medicina de Família e Comunidade (MFC), o presente trabalho relata a experiência de dois graduandos de medicina em estágio eletivo de 21 dias no Sistema de Saúde Cubano centrado na APS. Ademais, apresenta suscintamente impressões, críticas e reflexões a partir da vivência. A metodologia de coleta baseou-se na observação participante, almejando apreender a “totalidade funcional” através da estruturação proposta por Minayo. A saúde cubana, fruto do sistema político-econômico socialista, é, de fato, integralmente pública e alicerçada na APS como prioridade, baseada na Declaração de Alma-Ata. Observou-se, ainda, elevados índices de satisfação e saúde do sistema cubano. Paradoxalmente, são nítidas a falta de recurso, a escassez de tecnologias duras e outras falhas e adversidades. Cuba, como território de aprendizado, tem importância não só acadêmica como de vida. A ilha tem muito a ensinar em gestão e assistência à saúde, além de ser exemplo de valorização da APS resultando em melhores condições de saúde. O estágio eletivo mostra-se como ferramenta importante de ensino ao passo que possibilita a graduandos conhecer outras realidades e formas de organização in loco, gerando intercâmbio de conhecimentos e possibilitando a criação de alternativas e soluções aos principais problemas da realidade local, além de estimular o pensamento crítico e o interesse em saúde pública.