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Questões étnico-raciais e ESF: uma experiência em sala de aula

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Introdução: a Estratégia de Saúde da Família tem papel fundamental no cuidado integral aos indivíduos. O Brasil é o país com mais negros fora da África (52,9% dos brasileiros)¹. Sabendo do reconhecimento oficial do racismo institucional pelo Ministério da Saúde² e dos impactos desse cenário na saúde mental e física de pacientes atendidos na APS; e reconhecendo o papel da Medicina de Família e Comunidade em ir além da prática assistencial no consultório, abordou-se as diferenças étnico-raciais em sala de aula. Objetivo: abordar e discutir diferenças raciais em sala de aula, auto-estima da criança negra e impactos do racismo na infância. Descrição: o projeto foi realizado em uma ONG na periferia de uma capital do sul do país, pela ESF de referência. Trata-se de localidade de vulnerabilidade social e grande concentração de indivíduos negros comparativamente aos números municipais/estaduais. Foram realizados 4 encontros semanais de 2h cada, com crianças de 6 a 9 anos de idade. Contou com atividades lúdicas que estimulavam a discussão sobre suas diferenças e características fenotípicas, como desenhos de “como eu sou/como eu queria ser”, ou associações de fenótipos a características boas/ruins. Discussão: observou-se influência da questão étnico-racial em sala de aula, com negação de identidade pelas crianças e relações de preconceito. Os impactos do racismo na saúde mental são conhecidos. O Ministério da Saúde oficialmente reconhece o racismo institucional nos serviços de saúde em 2004² e a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (2009), destaca como agravos importantes na população negra “sofrimento psíquico, estresse, depressão [...]”². Conclusão: as questões étnico-raciais e suas consequências tem estrita relação com o processo saúde-doença. A Estratégia de Saúde da Família tem papel essencial em garantir o cuidado sob todos os aspectos que influenciam na saúde. ¹IBGE. PNAD 2013. ²BRASIL. Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. 2010.