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Questões de Gênero e Sexualidade no Atendimento Primário em Saúde

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Introdução As questões de gênero e sexualidade, aliadas a carência de políticas públicas específicas, bem como a falta de conhecimento, ética e despreparo de alguns profissionais, corroboram a vulnerabilidade da população que enfrenta tais questões Objetivo Relatar o caso de um usuário do Sistema Único de Saúde (SUS) com diagnóstico de disforia de gênero, atendido em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e em uma clínica-escola de psicologia do município de Itajaí. Metodologia Análise crítica de relato de experiência com revisão de literatura atual. Relato de caso G. M. F., de 22 anos, do sexo (biológico) masculino, procura atendimento com queixa de otalgia mas no decorrer da consulta solicita encaminhamento para psicologia pois vive conflitos sobre seu gênero e a sua sexualidade, além disso refere sentir "raiva de pessoas desconhecidas" gerando pensamentos violentos com as mesmas. O paciente fazia uso de antidepressivo e cannabis para alívio de ansiedade e da raiva. O usuário foi atendido no serviço de psicologia da clínica-escola vinculada à UBS e realizada avaliação psicológica e atendimento por cerca de seis meses. Durante o processo, G.M.F. mostrou incongruência acentuada entre o gênero experimentado e suas características sexuais primárias e secundárias, enfrentando descontentamento afetivo e cognitivo com o gênero designado biologicamente, no caso, o masculino (diagnosticado posteriormente com disforia de gênero). Conclusão Para um atendimento humanizado desse usuário, os profissionais da saúde da UBS precisariam compreender os conceitos de gênero e sexualidade, assim poderiam acolher, orientar e acompanhar o caso, com o objetivo de eliminar o hábito do uso da cannabis e de antidepressivos. Vale ressaltar que, a construção social da maioria dos preconceitos dá-se, muitas vezes, pela falta de informação.