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Um homem de 55 anos, com diagnóstico de hipotireoidismo há 9 anos, em uso diário de levotiroxina oral, foi avaliado devido a persistência do quadro de hipotireoidismo apesar do uso de altas doses da medicação (300mcg). Clinicamente o paciente não apresentava sintomas tão característicos de hipotireoidismo. Exames laboratoriais realizados mostravam tiroxina livre de 0,18 ng/dL e hormônio tireoestimulante de 170,5 uIU/L. Após teste de sobrecarga de levotiroxina, a não aderência ao tratamento foi confirmada, abrindo-se um leque para outras doenças, principalmente transtornos psiquiátricos, levando ao quadro de pseudomalabsorção de levotiroxina. Cerca de 99% dos casos de hipotireoidismo são primários. A levotiroxina tem meia vida de 6 a 7 dias e a dose normalmente utilizada para reposição gira em torno de 75 a 125mcg, sendo absorvido em torno de 50 a 80% das doses administradas. Ao longo do tratamento do hipotireoidismo, muitos vieses podem interferir nos resultados dos exames e também na própria clinica do paciente, sendo as principais causas da não estabilização da doença: a má absorção do medicamento devido a alguma doença desabsortiva ou má adesão ao tratamento. Nessas situações o paciente poderá apresentar sinais e sintomas característicos da doença, como fadiga, sensibilidade ao frio, ganho de peso, queda de cabelo, pele ressecada, bradicardia, astenia, bem como alterações laboratoriais de um hipotireoidismo grave. Acompanhamos um paciente diagnosticado com hipotireoidismo primário, que apesar de doses elevadas de levotiroxina, a medicação era insuficiente para manter o quadro da doença controlado.