Prevenção quaternária: testes e exames de rastreamento em idosos
A realização de rastreamento ou screening em uma pessoa assintomática tem como objetivo a detecção precoce de doenças ou condições que apresentam possibilidades de intervenções que melhoram o desfecho clínico. Quando não é devidamente indicada, essa prática pode ser danosa ao paciente. No que se refere especificamente aos idosos, a questão do excesso de intervenções torna-se ainda mais relevante, uma vez que a detecção precoce de doenças em idosos raramente traz mais benefícios que prejuízos, no sentido de tratamento ou cura. A iatrogenia clínica, relativa aos danos causados pela intervenção médica ao indivíduo, cresceu tanto, que ganhou dimensão coletiva e populacional. Dentro da própria categoria médica, surgiu o conceito de prevenção quaternária, que consiste em proteger a população das medidas médicas desnecessárias, tanto no nível diagnóstico como no terapêutico. Um dos públicos específicos em que se deve atribuir a prevenção quaternária são os idosos, sendo a razão principal a sua probabilidade maior de contração de “doenças compostas”. Acima de 75 anos as indicações de intervenções de rastreamento cessam, cabendo então ao idoso uma faixa de intervenção que vai dos 60 aos 75 anos. O profissional de saúde deve sempre explicar ao paciente os riscos e benefícios de qualquer programa ou procedimento de rastreamento e este deve consentir a sua realização. Da mesma forma, o profissional tem a responsabilidade ética de esclarecer os motivos da não indicação do procedimento e pactuar com ele para, juntos, decidirem qual a melhor opção para prevenir doenças e manter a saúde. O objetivo desse estudo é fazer uma revisão sobre o tema, dada a importância do assunto no contexto da Saúde Coletiva. Para isso, foram utilizadas as bases de dados PUBMED, BVS e LILACS, sendo selecionados quinze artigos para revisão a partir das seguintes palavras chaves: rastreamento/screening, idoso/aged, doença iatrogênica/iatrogenic disease.