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O termo território foi incorporado às definições teóricas e normativas da Atenção Básica e da Estratégia Saúde da Família (ESF). Entretanto, cada território é um universo em si. Nenhum local é completamente idêntico a outro e um mesmo local sofre permanentes modificações com o passar do tempo. O objetivo desse trabalho foi refletir sobre práticas de violência observadas durante processo de territorialização de equipe de saúde da família na periferia de Fortaleza (CE) e construção do projeto Aqui tem Sinal de Vida, hoje projeto de extensão da Universidade Federal do Ceará. A pesquisa teve uma abordagem de natureza qualitativa, que situamos na perspectiva da pesquisa social buscando captar a dinâmica e a complexidade do processo em seu contexto histórico imediato tendo, portanto, o ambiente social como fonte de dados. Optamos por desenvolver o método da cartografia. Durante esse traçamos dificuldades de acesso da comunidade a unidade de saúde, de crianças e adolescentes a determinadas escolas e ao Centro de Cultura e Lazer (CUCA). O local de moradia traça o ‘não acesso’ as políticas públicas, incluindo a saúde. Água tratada e saneamento básico também são ausentes em grande parte do território. O ‘não acesso’ é reconhecido por moradores, gestores e profissionais, mas caminhos a serem trilhados para romper as barreiras ainda precisam ser construídos. Tais reflexões remetem à violência estrutural, a violência do Estado e mesmo a cultural que quase sempre aparecem naturalizadas. Suas manifestações são aprovadas ou desaprovadas, lícitas ou ilícitas, segundo normas sociais mantidas por aparatos legais da sociedade ou por costumes naturalizados. Práticas de violência em suas manifestações mais atrozes e mais condenáveis geralmente ocultam situações e condições aparentemente menos escandalosas, por se encontrarem prolongadas no tempo e mimetizadas por ideologias ou instituições de aparência respeitável.