Otimização da comunicação entre profissionais impactando positivamente no serviço de Atenção Domiciliar
Implantar um programa de residência médica e multiprofissional de Saúde da Família é complexo inclusive pelo desafio na construção do vínculo com funcionários já inseridos na Unidade de Saúde. Este relato conta a experiência de um grupo de residentes do programa da FESF-SUS/FIOCRUZ no período de 2016.2/2017.1 na USF PHOC3 no município de Camaçari-Bahia, e seu impacto positivo no processo organizativo das visitas domiciliares após otimização da comunicação e participação dos agentes comunitários de saúde nas reuniões de equipe. O contexto prévio era de pouca interação entre profissionais e desorganização de registros, então houve a construção de planilhas organizativas tornando as reuniões mais rápidas, e as visitas eram realizadas pelos residentes, incluindo profissionais do NASF, mesmo com pouca participação dos ACS. Após a colaboração de uma interna de medicina, pudemos levantar dados que serviram de base para análises estatísticas, constatando alto número de visitas inadequadas, para coleta de informações, processo desnecessário se houvesse troca com o ACS, porém fundamental para entendimento do contexto. Em seguida houve reflexão autocrítica e abertura para comunicação, exposição e escuta atenta de visões diferentes, e principalmente troca de experiências prévias e de saberes, sejam acadêmicos ou não, reconhecimento de falhas e novas pactuações de compromisso. Houve mudança no calendário e horário das reuniões, maior adesão e interação dos profissionais, reconhecimento bilateral do potencial da contribuição coletiva, ajuda mútua, mais diálogo, o que contribuiu para construção de um clima ameno e contributivo. Como resultado, o trabalho ficou mais efetivo, organizado e prazeroso, as solicitações indiretas por familiares reduziram, as visitas de retorno passaram a acontecer regularmente, e percebemos o retorno positivo por parte dos usuários e cuidadores. Como conclusão, destacamos a importância da horizontalização das decisões e menos distanciamento, mais abertura de escuta, fusão, troca e valorização dos saberes não acadêmicos, afinal, juntos somos mais fortes.