O consumo de benzodiazepínicos na APS – um estudo comparativo
Os benzodiazepínicos são fármacos ansiolíticos, utilizados na prática clínica por seus efeitos na diminuição da ansiedade e moderação da excitação. Estão entre os fármacos mais prescritos no mundo, sendo o uso crônico associado à dependência. As prescrições costumam ser realizadas por médicos, geralmente, da APS, onde acontece o contato inicial do paciente com o sistema, e os problemas psicossociais são identificados neste atendimento. Este trabalho foi elaborado em função da grande procura por atendimentos médicos para renovação de receitas de benzodiazepínicos na UBS, a maioria destes prescritos previamente por profissionais diferentes. O objetivo é identificar os casos de uso crônico de benzodiazepínicos e o perfil destes usuários da UBS, comparando com a literatura. A identificação dos usuários de benzodiazepínicos de uma equipe na UBS Jardim Lourdes foi realizada pela coleta de dados na farmácia entre maio e agosto de 2017. Informações do perfil epidemiológico e do uso de benzodiazepínicos foram coletadas dos prontuários, e comparadas com a literatura brasileira no intervalo de 2010 a 2017. O uso de benzodiazepínicos no mundo, varia de 1 a 8%, neste estudo, foram identificados 23 usuários na equipe (1,2% da população atendida pela equipe). O Clonazepam foi o fármaco mais utilizado, segundo a ANVISA, é o benzodiazepínico mais prescrito no Brasil. Na literatura, o uso é mais frequente em mulheres, de 50 a 60 anos, com baixo nível de escolaridade e renda, prescrito por ansiedade e/ou insônia. O perfil de usuários observado no estudo foi semelhante aos dados analisados, a idade média foi 46,5 anos, maioria mulheres (74%). Foi observado também a associação de outros psicofármacos em 65% dos usuários e o uso crônico em 95,65%, em apenas um caso foi tentado desmame, sem sucesso. Há uma necessidade de novas alternativas para tratamento e progressão para desmame, assim como um olhar integral destes usuários.