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Introdução A implantação da Estratégia de Saúde da Família (ESF) na Unidade Básica de Saúde 02 de Planaltina (DF) tem tornado possível o acesso de pacientes antes desassistidos. Objetivo Evidenciar um caso emblemático de como as dificuldades de acesso podem ter consequências graves na vida de um paciente. Descrição da experiência Paciente, W.K, 7 anos, masculino, vem à primeira consulta trazido pela tia, com queixa de convulsões frequentes. A família refere que o paciente apresentava crises convulsivas desde o primeiro ano de vida. Pela descrição, as crises aparentavam ser do tipo tônico-clônicas generalizadas. Costumavam ser semanais, mas há uma semana se intensificaram, passando a ser diárias. Os familiares acreditam que o paciente apresenta paralisia cerebral, mas referem que ainda não recebeu esse diagnóstico. Indicam que nunca fez acompanhamento médico e que não fazia uso de nenhuma medicação. Nunca frequentou a escola. A mãe, usuária de crack, falecera havia 7 dias, com 39 anos de idade. Ao exame, paciente cadeirante, emagrecido, em uso de fralda e não falava. Apresentava paralisia espástica de dimídio esquerdo. Aparelhos cardiovascular, respiratório e abdominal sem alterações. No fim da primeira consulta, foi prescrito valproato sódico, em dose baixa. Após 2 semanas, no retorno, o paciente já não estava mais tendo crises convulsivas. A família estava feliz com o resultado e aparentava estar mais tranquila. Seguiu-se a investigação com exames laboratoriais, de imagem e EEG. Discussão O acesso tardio do paciente aos serviços de saúde gerou bastante angústia à equipe. Em apenas uma consulta, as crises epiléticas foram controladas. Entretanto, já não era mais possível reverter os danos neurológicos sofridos pelo paciente. Conclusão Com a implementação da ESF, fica a expectativa de que casos como o de W.K. possam ser tratados mais precocemente. Ou mesmo evitados.