Narratividade em saúde por um ethos do cuidado
Construir uma educação ampla aos futuros profissionais envolve soluções desafiadoras na desconstrução da hegemonia biomédica. A qualidade dos encontros entre o indivíduo em adoecimento e o profissional da saúde é primordial para a produção de um cuidado integral em saúde. Nesse sentido, a construção de narrativas em saúde pode ser capaz de pintar nuances para além da sistemática anamnese protocolar e ajudar a definir um horizonte clínico mais dialógico entre cuidadores e pacientes. O exercício da escrita do registro sensível e a valorização das subjetividades, não só através de marcadores patológicos, podem orientar o estudante da saúde ao uso do conhecimento científico adquirido em compêndios, artigos, laboratórios de forma mais contextualizada para cada encontro clínico. Objetivo: Ampliar as possibilidades na formação em saúde através de experimentações de outros saberes, como a escrita narrativa. Possibilitar, através de processos vivenciais, a troca de papéis de papéis entre narrador, cuidador e pessoa, dando voz às narrativas de experiências de adoecimento e busca por cuidado. Experiência: Por meio de encontros semanais no Projeto de Iniciação Científica (PINC Atenção Primária em Saúde), foi elaborado um espaço para o livre registro escrito de narrativas feitas à partir de acompanhamento observacional de consultas em unidades básicas de saúde e hospitais, bem como atendimentos feitos por alunos e professores atuantes na assistência em saúde. A partir do texto narrativo registrado por um aluno e escolhido pelo grupo, foram construídos outras narrativas por diferentes óticas como o "suposto" prontuário médico formal e um texto literário que, de forma fictícia, contava a história do sujeito assistido e dos cuidadores e familiares a partir de perspectivas imaginárias. O ato de contar a história a partir do ponto de vista do Outro pode ser considerado um exercício de empatia e aponta para a produção de um ethos narrativo do cuidado em saúde.