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Metodologia diversificada no processo de aprendizagem de crianças e adolescentes em Blumenau

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Durante os dois primeiros anos do curso de medicina, acadêmicos da Universidade Regional de Blumenau foram inseridos em atividades práticas via estágio feito em Estratégias de Saúde da Família na periferia de Blumenau, onde realizaram ações de promoção da saúde à comunidade local. O principal foco trabalhado segundo a demanda local foram atividades educacionais em escolas, com adolescentes, abordando temas de sexualidade e relações íntimas. A finalidade dos trabalhos feitos foi de transmitir conhecimentos fundamentais para esses jovens através de metodologias e materiais diferenciados daqueles utilizados nos centros estudantis. Para a realização das atividades, foi solicitado que os acadêmicos ficassem a sós com alunos nas salas de aula, além de separar as turmas de meninos e meninas com acadêmicos do mesmo sexo, possibilitando melhor desenvoltura dos trabalhos e inibindo questões de constrangimento. Depois foram aplicados questionários anônimos, onde os jovens escreveram suas dúvidas e pensamentos sobre os temas. Posteriormente os acadêmicos retornaram e responderam-nas, depois realizaram uma conversa totalmente de forma horizontal e informal, usando relatos de acontecimentos e sempre focando para os cuidados com gravidez indesejada, doenças sexualmente transmissíveis, e respeito às diversidades. O diálogo deu-se de forma aberta permitindo interrupções para dúvidas, além de ter sido mediado por indivíduos também jovens, de forma que proporcionou uma maior identificação e abertura para os assuntos explanados. A experiência foi de extrema riqueza para ambos os lados, uma vez que tanto permitiu uma maior empolgação e entendimento, evidenciada pelos adolescentes, quanto no processo de formação dos acadêmicos, já que puderam trabalhar com promoção da saúde, ao invés da prevenção, único método ensinado pelas diretrizes clássicas do currículo universitário, logo, puderam colaborar no ensinamento voltado à saúde para aqueles como iguais, sobrepondo a arcaica padronização de superioridade do médico ao paciente imposta pelo modelo biomédico.