Medicina de Família e Comunidade e a escolha pela especialidade
A Medicina de Família e Comunidade (MFC) é a especialidade médica que permite ao médico atuar de forma ampliada, ao passo em que é uma das poucas especialidades que torna possível ao profissional, em seu exercício diário, trabalhar em diferentes disciplinas, inclusive fora do consultório. No Brasil, a procura dos estudantes pela especialização na área é baixa comparada às outras especialidades, e ainda há poucos dados na literatura que indiquem os motivos desta baixa procura. Desta forma, esta pesquisa teve como objetivo compreender a percepção dos acadêmicos formandos do curso de Medicina de um município de médio porte de Santa Catarina, sobre a escolha pela área de Medicina de Família e Comunidade. Trata-se de um estudo de caráter analítico-descritivo, na qual os dados foram coletados por meio de um questionário, e analisados por meio da Estatística Descritiva. Responderam à pesquisa 21 alunos, do universo de 33 sujeitos. Considerando o objetivo deste estudo, obteve-se que o perfil dos formandos da referida instituição é semelhante ao encontrado em outros trabalhos. Os alunos sentem-se atraídos pela MFC devido à “carga horária relativamente baixa com horários definidos”, ao “olhar médico ampliado, além do biomédico”, além do fato de a MFC possibilitar a “oportunidade de trabalho em qualquer região” e a “atuação ampla em diversas disciplinas médicas”. Já os motivos que não os atraem são as “más condições de trabalho com pouco investimento por parte do governo”, a “baixa remuneração” e o “pouco prestígio profissional” na área. Deste modo, mesmo frente ao movimento de mudança desta realidade propostas pelo governo por meio de programas e políticas que induzem a formação médica, observa-se que estas ainda são incipientes, e assim continuarão se não propuserem uma maior consolidação e incentivo financeiro para valorização profissional desta área.