Manejo multidisciplinar do abuso de benzodiazepínicos: um relato de caso.
Introdução Abuso de benzodiazepínico é um problema encontrado diariamente na atenção primária. Riscos associados ao seu uso crônico são cada vez mais descritos na literatura. Nesse contexto, este relato traz um manejo multidisciplinar, utilizando o guideline canadense para uso de benzodiazepínicos (LATER et al), de uma paciente dependente de diazepam. Objetivo Demonstrar que com uma abordagem multidisciplinar, práticas integrativas complementares (“PICs”) e ajuste medicamentoso, é possível tratar efetivamente a dependência de benzodiazepínicos. Descrição Paciente feminina, 34 anos, iniciou uso de diazepam seguido de múltiplas tentativas de suicídio e diversos fatores estressores. Após meses de uso, teve-se como plano a retirada deste, adicionando o uso de citalopram para tratar os sintomas ansiosos e depressivos. Com a retirada do benzodiazepínico, a paciente apresentou uma série de sintomas hipomaníacos que apontavam ciclotimia, como diminuição do sono, forte ansiedade e aumento das tarefas diárias. Reintroduziu-se, temporariamente, o diazepam e adicionou-se lítio, concomitantemente com citalopram, para que saísse da fase hipomaníaca. Paralelamente, foi iniciado manejo com “PICs”, abordagem sistêmica e utilização de ferramentas de abordagem familiar, como construção de genograma, ecomapa, aplicação de Orientações Fundamentais nas Relações interpessoais (F.I.R.O) e P.R.A.C.T.I.C.E, além de acupuntura, auriculoterapia e aconselhamento biográfico antroposófico. Após algumas semanas desta abordagem, realizou-se a retirada fixa do benzodiazepínico, além da melhora dos sintomas depressivos e de ansiedade. Discussão Com uma visão integral da pessoa, foi possível auxiliar a paciente a compreender melhor seu contexto familiar e relacional, de modo a melhorar sua saúde em seus diversos âmbitos paralelamente ao ajuste da medicação. Isso possibilitou a retirada do fármaco em conjunto com a sua estabilização clínica e psicológica. Conclusão O caso demonstra que abordagem multidisciplinar, uso de “PICs”, fortalecimento da relação médico-paciente e adicionados ajustes farmacológicos são promissores no tratamento do abuso de benzodiazepínicos.