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Manejo da mulher vítima de violência: estamos realmente preparados?

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Muitos profissionais da saúde limitam-se a tratar as consequências da violência contra a mulher. Devido à alta prevalência do fenômeno, o estudo em questão visa avaliar o conhecimento desses profissionais em reconhecer e proceder de modo adequado diante de uma mulher vítima de violência. Trata-se de um estudo transversal analítico com aplicação de questionários aos profissionais de saúde do Pronto-Socorro do Hospital do Trabalhador em Curitiba. O universo da amostra é formado por 305 profissionais. Para garantir significância estatística, 268 foram entrevistados, sendo 19,8% médicos, 6% enfermeiros, 18,2% técnicos de enfermagem e 56% estudantes de medicina, predominando o gênero feminino e idade entre 20 e 30 anos. Mais da metade dos participantes (54,5%) não se considera apto a atender a mulher vítima de violência – 80% dos acadêmicos, 24,5% dos técnicos, 22,6% dos médicos e 18,7% dos enfermeiros. Dentre os motivos, o desconhecimento da legislação foi referido por 42,2%, tendo o mesmo quantitativo referido desconhecimentos das redes de apoio à vítima. A maioria dos profissionais (79%) reconhece a necessidade da notificação compulsória, com percentuais semelhantes dentre as categorias, porém apenas 35% soube identificar as situações em que o registro de ocorrência deve ser realizado, com maior taxa de acerto entre os enfermeiros (47% dos que foram entrevistados acertou a questão). Quanto aos tipos de violência, 54,1% identificou corretamente as cinco formas descritas na Lei Maria da Penha. Apesar de mais da metade dos profissionais (52%) referirem abordagem do assunto durante a graduação, muitos se sentem inseguros no atendimento à mulher vítima de violência. Os resultados levam a um questionamento quanto a qualidade de ensino referente a este tema e seus aspectos legais. Além disso, revelam a necessidade de atividades educativas para sensibilização dos profissionais a respeito dessa situação de extrema relevância social, porém muitas vezes negligenciada no âmbito da saúde.