Limites e possibilidades do trabalho do médico na ESF no contexto OSS
Introdução: Estudos reforçam a importância da APS como estruturante dos sistemas de saúde. No município de São Paulo a gestão da APS é realizada em parceria com as Organizações Sociais de Saúde – OSS. A dificuldade de provimento e fixação de médicos para atuarem na ESF motivou esta pesquisa. Objetivo: Analisar os limites e possibilidades da atuação do profissional médico da ESF. Metodologia: Qualitativa através da técnica de Estudo de Caso. A coleta foi realizada com fontes primárias e secundárias. Como primárias foram realizadas entrevistas e/ou questionários com gestores da OS Santa Catarina e SMS, e médicos e gestores locais das UBS. Resultados e Discussão: O perfil do médico da ESF é jovem, com pouco tempo de formação, sem especialização e alta rotatividade no cargo. Apesar desses médicos se considerarem qualificados para realizar suas funções, gestores locais da OSS e da SMS não o consideram e referem não existir programa de qualificação sistemático eficaz para este profissional. Há insatisfação do médico em relação ao seu processo de trabalho especialmente na distribuição das atividades em sua agenda semanal, prejudicando o cumprimento da PNAB. Essa insatisfação é reconhecida pelos gerentes, mas ambos não têm autonomia para ajustá-la à realidade local. A gestão do trabalho médico é verticalizada e fragmentada com a OS reproduzindo esse modelo da SMS. O gerente local é fiscalizador do cumprimento do contrato de gestão e a gestão SMS se distancia das realidades locais padronizando as decisões nos níveis centrais. Conclusão: O médico da ESF tem grande potencialidade de trabalhar os princípios do SUS, em particular a integralidade. Entretanto, o trabalho do médico ainda tem excessivo foco na atenção individual e é limitado por questões de formação e capacitação, mercadológicas, de regulação e gerenciais.