Integrando níveis de atenção: experiência de coordenação do cuidado em saúde mental
INTRODUÇÃO. A coordenação efetiva entre os diferentes níveis de atenção é um desafio para sistemas de saúde. Starfield (2002) defende a coordenação do cuidado como um atributo central da Atenção Primária à Saúde (APS). Desse modo, compete à APS não só a identificação dos casos onde os recursos de especialistas focais são necessários, como também a garantia de continuidade dos cuidados, independentemente dos níveis de atenção envolvidos. OBJETIVO. Descrever experiência de integração entre equipe de Estratégia de Saúde da Família (ESF) da Unidade Básica de Saúde (UBS) Jardim D’Abril – São Paulo e Instituto de Psiquiatria - HCFMUSP (Ipq). DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA. J.J.O.P., 16 anos, pertencente à família com baixa frequentação na UBS. Em março de 2017, assistente social reporta contato do Ipq relatando internação do menor há um mês por Esquizofrenia Catatônica com desnutrição secundária e solicitando visita domiciliar (VD) conjunta para avaliar condições de alta hospitalar e discutir manejo do caso em APS. Durante a internação, realizados encontros na UBS com os familiares a fim de estabelecer vínculo, acolher as demandas e discutir a dinâmica familiar. Após relatório destinado ao IPq apontando condições familiares satisfatórias, o paciente teve alta. Atualmente, se encontra em remissão dos sintomas catatônicos, acompanhado pela equipe com consultas periódicas e ajuste medicamentoso conforme orientação do IPq. DISCUSSÃO E CONCLUSÃO. Katon et al (1995) comprovou os benefícios da atenção compartilhada entre generalistas e psiquiatras no manejo de problemas psiquiátricos. No presente relato, o episódio de cuidado fora iniciado pela atenção terciária com posterior acionamento da APS para coordenação do cuidado. A integração coordenada entre os diferentes níveis trouxe benefício ao paciente, com redução do tempo de internação e ajustes terapêuticos oportunos coordenados pela equipe de ESF sob supervisão do terciário, além de contribuir para construção do vínculo entre a família e o serviço de saúde.