Inclusão do mundo virtual no Mapa de Redes de uma adolescente
Introdução: O Mapa de Redes (Sluzki, 1997) é uma ferramenta muito utilizada na prática do médico de família e comunidade. Dividida em quatro quadrantes, com três graus de proximidade e tendo o paciente no centro, apresenta-se em forma de alvo, o que facilita a visualização da rede de apoio do paciente. Seus quadrantes são usualmente categorizados em indivíduos da família, do trabalho, amigos e membros da comunidade, representando as esferas de convivência do indivíduo e os possíveis vínculos afetivos desenvolvidos por ele. Objetivo: Mostrar a inclusão das redes sociais virtuais no Mapa de Redes, de modo a adaptá-lo à realidade dos pacientes e obter uma melhor compreensão de seu contexto de vida. Descrição da experiência: Menina de 12 anos atendida na APS devido a episódios de alucinações visuais e automutilação. Sofria bullying e relatava não ter amigos na escola; porém, manifestava ter forte vínculo com pessoas da realidade virtual - amigos com os quais mantinha contato apenas através do computador ou celular, por aplicativos e redes sociais -, representando ser esta uma importante fonte de apoio. Dessa forma, os quadrantes desenhados foram adaptados para incluir amigos virtuais, além de amigos da escola, membros da comunidade e da família. Discussão: A modificação dos quadrantes desta ferramenta tornou-se imperativa ao perceber que a paciente buscava mais apoio nos amigos virtuais, que não conhecia pessoalmente, do que com pessoas que via diariamente. Na atualidade, adultos e jovens participam de diversos sites de relacionamento; essa tendência aponta a necessidade de adaptação dos métodos de avaliação do contexto social. Conclusão: Com a inclusão do mundo virtual no Mapa de Redes, identificou-se que os maiores vínculos da paciente eram virtuais. A construção de um segundo Mapa, após um acompanhamento terapêutico longitudinal, evidenciou um maior preenchimento dos quadrantes reais em detrimento do virtual, tornando-o mais equilibrado.