Impacto da ausência de comunicação entre médicos
INTRODUÇÃO: Referência e contrarreferência configura-se como método de atendimento eficaz no Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, a ausência de comunicação entre os profissionais sustenta riscos em suas condutas, propiciando interações não benéficas entre os tratamentos. OBJETIVO: Expor a existência de riscos em função da inexistência de um sistema de comunicação entre médicos. RELATO DE CASO: MAA, sexo feminino, 74 anos, solteira, aposentada. Possui hipertensão arterial moderada, arritmia cardíaca, insuficiência coronariana e anemia talassêmica. Faz uso de hidroclorotiazida, losartana, anlodipino, carvedilol, varfarina e fluoxetina. Sofreu acidente durante trabalho como cobradora de ônibus, que a incapacitou, tornando difícil sua locomoção. Realizou cirurgias ortopédicas. Devido às consequências do acidente, desenvolveu transtorno depressivo moderado e recorrente, recebendo prescrição de fluoxetina. Com mudança de endereço, continuou controle em outra Unidade Básica de Saúde (UBS), onde omitiu seu quadro depressivo e o uso do medicamento. Após a descoberta, em registro no prontuário consta: "em nenhum momento durante as consultas houve menção à depressão pregressa ou atual, sendo o quadro surpreendente por ela ser uma pessoa de alegria e vivacidade contagiantes e também bastante comunicativa". DISCUSSÃO: O caso exemplifica o risco da falta de comunicação entre médicos, que resultou em possível interação medicamentosa por desconhecimento do médico atual a respeito do fármaco prescrito anteriormente. Por incumbir ao paciente a responsabilidade de transmitir a informação sobre sua condição clínica, há perda de informações relevantes, seja propositalmente, por mentira ou omissão do paciente, ou por ausência de domínio acerca de sua própria condição. Além disso, nos encaminhamentos da Atenção Básica para especialistas em Unidades de Referência, pode ocorrer desconexão entre profissionais por informações imprecisas transmitidas pelo paciente. Assim sendo, é justificada a necessidade de um prontuário unificado no SUS, também para melhor eficiência de referência e contrarreferência.