IDOSO COM DOENÇA DE ALZHEIMER E OS DETERMINANTES SOCIAIS ENVOLVIDOS
O relato apresentado é parte da vivência de acadêmicos de Medicina do Centro Universitário Redentor, em visita domiciliar (VD) em Itaperuna/RJ. Discute-se como Determinantes Sociais de Saúde (DSS) interferem no processo saúde-doença, com o objetivo de analisar tal processo, compreendendo sua determinação social. D.S., 81 anos, apresenta Doença de Alzheimer (DA), acamado há 3 anos, com dislalia e hipoacusia, total dependência para atividades básicas e instrumentais de vida diária. Casado com L.S., cuidadora de idosos que está fora todo o dia, é cuidado por P.S., seu filho, que possui transtorno psiquiátrico e epilepsia, em tratamento no Centro de Atenção Psicossocial. A renda familiar restringe-se à aposentadoria de D.S. e ao salário da esposa. A partir do caso supracitado podemos discutir de que maneira os DSS interferem no processo saúde-doença, mais especificamente, na redução da qualidade de vida de pacientes com DA. A DA provoca degeneração progressiva (DP) de áreas do cérebro, causando prejuízos cognitivos, motores, de fala e memória. O cuidador precisa de preparo físico e psicológico, para o acompanhamento constante do paciente4, situação não vivenciada pela família visitada. Atividades ocupacionais e de desenvolvimento cognitivo (DC) são importantes para melhor qualidade de vida (QV) do portador da DA, e para o retardo da DP4. Percebe-se que D.S. recebe apenas cuidados básicos, sem realizar atividades de convívio social e de DC. D.S. está há três anos sem sair de casa, devido à precariedade e falta de acessibilidade no domicílio, dificultando o uso de cadeira de rodas. As questões biopsicossociais permeiam todo o cotidiano da família, considerando que D.S. passa a maior parte do tempo sendo cuidado por P.S., alguém que também precisa de cuidados. Logo, os profissionais de saúde precisam atentar-se aos aspectos singulares que permeiam o cotidiano da família, para que as práticas em saúde sejam, de fato, integrais.