Grupo Balint: como funciona?
Partindo-se da experiencia com residentes e preceptores de Medicina de Família e Comunidade este trabalho pretende discutir aspectos específicos dos grupos Balint que permitem o aperfeiçoamento da relação médico – paciente (RMP). Embora nos Grupos Balint não se prescreva condutas, correções ou críticas ao apresentado pelos participantes, é frequente a dúvida de como estes grupos, que não são nem supervisão, nem psicoterapia, obtém o sucesso neste difícil processo de desenvolver uma RMP de qualidade. São dois aspectos fundamentais que devem ser considerados. 1) o fenômeno grupal por si que traz em suas características um ambiente facilitador do pensar e sentir. 2) a associação livre que permite contato com as camadas mais profundas do processo mental e assim interligando emoção, pensamento e ação. O grupo Balint surgiu na Clínica Tavistock em Londres nos anos 50, reunindo médicos da atenção primária para aperfeiçoar a RMP. Seu criador, Michael Balint, era médico e psicanalista, o que contribuiu para o desenvolvimento de seu método. Neste sentido os fenômenos da transferência e contratransferência são elementos constitutivos do processo grupal Balint. Como fenômeno grupal será considerado o papel do ego grupal que amplia as capacidades egóicas dos seus membros. Além disso o papel dos facilitadores e do ambiente seguro, constante e acolhedor promovem condições adequadas para o encontro entre emoção e razão no contexto da complexidade da RMP. A associação livre, parte fundamental do método Balint pode permitir o acesso aos conteúdos pré-verbais e inconscientes que o trabalho grupal pode revelar e consequentemente ampliando o contato mais profundo com a comunicação estabelecida com o paciente. As decisões sobre o que e como trabalhar com o paciente no processo longitudinal do MFC será sempre resultado da interação entre o médico e o paciente, mas com acréscimos à compreensão profunda do médico como resultado do Grupo Balint.