Gestantes e recém-nascidos com Zika vírus: percepção frente ao cuidado
Introdução: A microcefalia, alteração relacionada ao Zika vírus, pode levar a uma série de sequelas no recém-nascido, desde déficits neuropsicomotores até à morte do concepto. Essa condição demanda diversos serviços para o cuidado integral e resolutivo desses conceptos. O objetivo da pesquisa foi conhecer prevalência das gestantes com Zika e de neonatos com microcefalia decorrente da Zika no ano de 2016, bem como a experiência de gestantes referente ao cuidado recebido pelos serviços e profissionais da saúde. Metodologia Realizado estudo qualiquantitativo em Campo Grande/MS, com dados extraídos do DATASUS (janeiro a dezembro, 2016), notificações e sorologias positivas de gestantes com Zika, microcefalia em recém-nascidos de mães com Zika e do acompanhamento da trajetória de duas gestantes com diagnóstico de Zika. As gestantes narraram como foi o cuidado recebido durante a gestação. Resultados Foram notificadas 237 gestantes com Zika em 2016, destas, 90 tiveram a confirmação por sorologia; 13 crianças receberam o diagnóstico de microcefalia e uma gestação resultou em abortamento causado pela infecção. Acompanhamos a vivência de duas gestantes com diagnóstico de Zika confirmado por sorologia, sob o cuidado do serviço de referência do município e equipe de Saúde da Família. Relataram dificuldades no agendamento das consultas com a atenção especializada e exames subsidiários. Ressaltaram que durante a gestação o sentimento alternava entre o medo e a fé, tendo sido importante o suporte da equipe para orientação. Os trabalhadores em saúde envolvidos no cuidado manifestaram a atenção e preocupação com a situação. Conclusão Houve ocorrência expressiva de gestantes com Zika vírus no município e 13 casos de microcefalia. As gestantes relataram dificuldades com acesso aos serviços especializados. A percepção relativa aos profissionais foi de apreensão, cuidado e apoio por parte destes frente à condição das gestantes.