81997

Fontanela anterior persistente: linha tênue entre normal e patológico

Favoritar este trabalho

Introdução: A palavra "fontanela" vem do francês “fontaine”, que significa “pequena fonte”. Acredita-se que existam para facilitar a passagem pelo canal do nascimento e a contínua encefalalização. Ao nascer, a criança tem seis fontanelas, sendo a fontanela anterior (FA) a maior e clinicamente mais importante. Convencionalmente, o fechamento da FA (FFA) ocorre antes dos 2 anos e seu retardo permanece como preocupação frequente entre médicos e razão comum de encaminhamento ao especialista. Entretanto, não há consenso na literatura quanto aos valores de referência. Descrição: Atendida em consulta de puericultura, menina de 24 meses, sem comorbidades conhecidas, apresentava FA de 1,0 x 1,5 cm normotensa e normopulsátil. Sem alterações ao exame físico, crescimento ou desenvolvimento neuropsicomotor. Foram solicitados exames de função tireoidiana e do metabolismo ósseo, com resultados normais. O caso foi considerado variante do normal e a criança encaminhada para seguimento de rotina. Discussão: O FFA é considerado normal entre 9 a 18, 4 a 26 e 6 a 24 meses para o Ministério da Saúde, a Academia Americana de Pediatria e a Academia Americana de Medicina de Família, respectivamente. Segundo esta, aos 24 meses estaria fechada em 96% dos pacientes, mais cedo nos menino. Já estudos recentes com tomografia e reconstrução 3D demonstraram FA patentes em até 10% dos bebês saudáveis de 20 a 24 meses. Classicamente, causas de retardo no FFA incluem a acondroplasia, hipotireoidismo, síndrome de Down, hipertensão intracraniana, raquitismo, anomalias esqueléticas ou relacionadas ao crescimento. Se descartadas, pode representar uma variante normal, como em relatos de crianças de 32 meses a 8 anos. Conclusão: Compreender as variações normais no tempo de FFA nos primeiros 24 meses pode ajudar clínicos a reconhecer seletivamente aberrações e doenças de base. Entretanto, pode representar variante normal em crianças saudáveis sem outras evidências clínicas de patologia subjacente.