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O abortamento permanece como uma das principais causas de mortalidade materna no Brasil e um problema de saúde pública. Ao relatar casos de pacientes que declararam em consulta a intenção de abortar num contexto de negligência social, preconceito religioso e, principalmente, restrição legal, este relato objetiva descrever as emoções despertadas nos residentes de primeiro ano de MFC/UFRJ e aprofundar a discussão sobre o despreparo dos profissionais de saúde frente aos dilemas éticos envolvidos nessa abordagem. Método: relato de experiência dos residentes que vivenciaram situações complexas com usuárias que desejavam o abortamento, no entanto não tinham respaldo legal para a conduta médica. Em revisão bibliográfica na Pubmed observou-se que: mulheres frente à gravidez indesejada procurarão abortar independente das barreiras legais que dificultam o aborto seguro, ou condenação moral da sociedade (2); em países onde o aborto é legalizado, a maioria das mulheres que o procura está certa de sua decisão e não deseja maior discussão ou aconselhamento (3). O ministério da saúde não aborda como deve se portar o médico frente à paciente que afirma querer abortar (4). Diante a legislação proibitiva do aborto no Brasil, qual deve ser a postura do profissional de saúde? Conclusão: entre os sentimentos despertados encontram-se medo, insegurança e impotência, relativos à falta de ferramentas para lidar com a demanda de forma legal e à dicotomia entre orientá-la versus expô-la a riscos, num contexto de alta morbimortalidade por aborto inseguro. Nesse cenário os residentes buscaram uma abordagem individual e intersubjetiva pautada na autonomia da usuária; mas os protocolos em saúde não sustentam uma conduta médica adequada. Como mulheres frente à gravidez indesejada procurarão abortar independente das barreiras legais que dificultam o aborto seguro, ou condenação moral da sociedade, este é um debate ético que precisa ser mais profundamente explorado na formação médica.