Dor Abdominal além do que se vê
Paciente sexo masculino, 60 anos, hígido, sem comorbidades associadas, com algia abdominal do tipo cólica há aproximadamente um ano, sem melhora com medicamentos sintomáticos. A dor abdominal é um dos sintomas mais frequentes encontrados e discutidos na Atenção Primária. Frequentemente depara-se com essa queixa que normalmente esta associada a diversas patologias ou mesmo hábitos alimentares e de vida do paciente. A paniculite mesentérica é uma doença inflamatória e fibrótica do mesentério, cuja prevalência e fisiopatogenia permanecem obscuras. Surge tipicamente como uma massa abdominal, em homens, entre os 50 e os 70 anos, com clínica de dor abdominal, podendo acompanhar de vómitos, náuseas, diarreia, perda de peso e inclusivamente febre, mas não necessariamente tais sintomas aparecem. A escuta inicial e a condução da queixa do paciente são de fundamental importância para um diagnóstico e uma conduta precisas. São raras as patologias clínicas que necessitam de exames mais invasivos e de alto custo, como tomografias, ressonâncias, endoscopias e colonoscopias, para melhor condução. Uma vez que cronificada a algia abdominal, sem alterações importantes ao exame clínico e ultrassonográfico, deve-se solicitar auxílio diagnóstico e onerar o sistema para melhor abordagem e terapêutica do paciente. Uma vez diagnosticada, a paniculite mesentérica deve ser acompanhada e tratada em conjunto com o especialista em trato digestivo. O seu tratamento não é consensual podendo variar entre corticoterapia sistémica, imunomoduladores ou cirurgia emergente para tratamento das complicações agudas como isquemia e perfusão intestinal. Este caso remete-nos para uma apresentação típica desta doença dada a idade e sexo do paciente, porém atípica devido a algia abdominal não estar acompanhada de nenhum outro sintoma ou alteração ao exame físico.