Doença de Kawasaki na atenção primária: doença incomum ou sub diagnosticada?
A doença de Kawasaki (DDK) é uma vasculite de caráter sistêmico de etiologia desconhecida. Atinge crianças dos 6 meses aos 5 anos de idade e de todas as etnias. O diagnóstico da DDK é eminentemente clínico e em virtude do quadro de apresentação pode ser confundida com outras doenças exantemáticas da infância. Quanto mais precoce o diagnóstico, melhor o prognóstico para a pessoa, que deve receber tratamento hospitalar. No Brasil, a incidência da DDK vem aumentando, em parte pela maior capacitação dos profissionais em diagnosticar a doença. O presente relato aborda a assistência a uma criança realizada no âmbito de uma Residência de Medicina de Família e Comunidade e de uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Com um quadro de febre e lesões micropapulares difusas, mãe e filho de 1 ano e 11 meses buscam assistência em Pronto Atendimento, onde são prescritos sintomáticos (anti-histamínicos e antitérmicos). O quadro evoluiu com descamação em membros superiores e inferiores. A mãe busca assistência na UBS. Ao exame físico destacam-se amígdalas hiperemiadas e língua com aspecto em framboesa. Linfadenomegalia cervical em cadeias direita e esquerda. Não há hiperemia conjuntival. É levantada a possibilidade de DDK. Após 6 dias, a criança evolui com placas com angioedema e edema bilateral em joelhos e mãos com retorno da febre. Foi encaminhado para o Hospital de Referência e aberto o alerta para DDK. A criança foi internada, teve seu diagnóstico confirmado e recebeu tratamento para DDK, obtendo remissão importante do quadro nas primeiras 48h. A DDK deve ser suspeitada diante de todo paciente com quadro febril de pelo menos 5 dias associado a hiperemia conjuntival bilateral, alterações orais, alterações de extremidades, exantema polimorfo ou adenomegalia cervical. É de suma importância que haja na atenção primária a suspeição precoce do diagnóstico para que o tratamento adequado seja instituído.