Diretivas antecipadas de vontade e comunicação em saúde: uma relação de interdependência
A relação entre as diretivas antecipadas de vontade e a comunicação em saúde, no sentido não apenas de comunicação ou transferência de informação do profissional de saúde aos pacientes e ao público, mas também de deliberação, é explícita. A feitura das diretivas tem por base a deliberação de opções de terapêuticas e de condutas no âmbito médico. A boa comunicação entre o paciente e o seu médico é fundamental para, a partir da determinação dos valores envolvidos, chegar-se às alternativas selecionadas com decisões prudentes e razoáveis. Tendo por objetivo estabelecer a relação entre os documentos diretivas antecipadas de vontade e a comunicação em saúde, foi realizada uma pesquisa utilizando-se como metodologia a revisão bibliográfica com os descritores diretivas antecipadas e comunicação em saúde, com artigos em periódicos indexados nos portais CAPES/MEC, BVS e ProQuest, de janeiro de 2006 a dezembro de 2016, nos idiomas português, inglês e espanhol, sendo obtidos 40 artigos. Após a análise destes artigos, seguindo critérios estabelecidos de inclusão e de exclusão, restaram 21 artigos. Um documento como uma diretiva traz a manifestação da vontade do paciente relacionada à prática médica, necessitando para a sua elaboração de uma relação deliberativa entre o médico e o paciente. A comunicação adequada entre o médico, o paciente, a sua família e os outros profissionais envolvidos no cuidado, por meio de um processo deliberativo, cumpre princípios bioéticos, promove educação em saúde e gera uma assistência em saúde apropriada. Além disto, observa-se uma maior adesão aos tratamentos, ocorrência de boas relações, prática da empatia, melhora da qualidade de tratamento para a vida e para o processo de morrer, maior satisfação interpessoal e interprofissional, preenchimento adequado das diretivas antecipadas de vontade e tomada de decisões prudentes e razoáveis.