Dificuldades no acesso e uso dos serviços de saúde pelas travestis
Os serviços de saúde apresentam-se, muitas vezes, como locais de manutenção e reprodução das desigualdades e preconceitos da sociedade, em vez de serem locais de acolhimento e promoção de um cuidado humanizado. Por não se sentirem à vontade nesses locais, muitas travestis só procurem assistência médica em último caso, quando já estão em uma situação muito grave. A partir dessas constatações, temos como objetivo, para este trabalho, investigar as dificuldades e/ou facilidades sobre o acesso e o uso de serviços de saúde pelas travestis na atenção primária, na cidade de Natal-RN/Brasil. Para tal estamos realizando uma pesquisa qualitativa de base fenomenológica. Diante das análises, foi possível identificar no relato das travestis quatro categorias mais recorrentes no que diz respeito às dificuldades encontradas no acesso e uso dos serviços na atenção primária: A resistência dos profissionais em chamá-las pelo nome social; A associação das travestis ao vírus HIV/aids; A invisibilidade das travestis nos locais de saúde, ou a visibilidade rejeitada e a Percepção das travestis sobre a representação que os profissionais de saúde possuem delas. Muito foi construído para um funcionamento mais digno e respeitoso na nossa saúde pública, e muito a de se fazer para operacionalizar de fato os princípios do SUS, as diretrizes da PNH, a fim de se ter uma atenção à saúde passível de ser chamada de humanizada e integral. A luta pela dignidade, garantia do acesso à saúde das travestis e qualidade do cuidado não passa somente por questões de estruturação do sistema. É preciso estabelecer uma rede de diálogos entre as necessidades das travestis e os profissionais que trabalham no SUS, pois são eles que efetivam (ou não) a construção de um cuidado humanizado. Espera-se que a pesquisa possa contribuir com o campo do conhecimento acerca do saber-fazer na assistência a saúde das travestis.