Dificuldades na realização de um projeto comunitário em Saúde Mental
INTRODUÇÃO: Após a reforma psiquiátrica, na década de 70, houve um movimento de reinserção dos pacientes na sociedade, propondo o deslocamento das práticas psiquiátricas hospitalares para práticas realizadas pela comunidade. Atualmente cerca de 450 milhões de pessoas sofrem com transtornos mentais, porém muitas não são tratadas com a mesma relevância que doenças físicas. Contudo, a dificuldade da adesão da população com transtornos psíquicos aos programas de saúde oferecidos é um dos pontos a ser discutido. OBJETIVO: Relatar as dificuldades encontradas na realização de um projeto de saúde cujo objetivo era disponibilizar atividades manuais para a promoção de saúde mental para pacientes com doenças psíquicas cadastrados em uma Unidade de Saúde (UBS) no bairro Cidade Industrial de Curitiba. METODOLOGIA: Foram propostos 5 encontros semanais entre os alunos e os pacientes da UBS com transtornos mentais, entre setembro e outubro de 2016. Nesses encontros houve a realização de trabalhos manuais como ferramenta de terapia ocupacional, adaptados para a realidade dos pacientes e suas disponibilidades. DISCUSSÃO: Dos 12 pacientes inscritos, 10 desistiram da participação no segundo ou terceiro encontro. Observou-se que o horário, alguns materiais, a falta da interdisciplinaridade, a abordagem médica puramente científica e o receio ao atendimento por acadêmicos podem ser fatores que contribuem para a dificuldade de implantação e aderência dos programas. CONCLUSÃO: Para aumentar a adesão populacional, estudos envolvendo a população com doenças mentais devem continuar sendo realizados, as dificuldades compartilhadas gerando reflexões e aprendizado para novas realizações e conquistas.