Desafios do Seguimento de Paciente na Atenção Básica
Demência constitui síndrome caracterizada por declínio de memória e funções cognitivas, de intensidade suficiente para interferir de maneira significativa sobre o desempenho funcional do paciente. A prevalência de demência duplica a cada cinco anos após os 60 anos de idade, resultando em aumento exponencial com a idade. O objetivo deste trabalho é relatar o caso de uma paciente, sexo feminino, 90 anos, moradora de uma cidade da Região Serrana de Santa Catarina, diagnosticada com Doença de Alzheimer (DA) há 10 anos. Inicialmente apresentou quadros de amnésia em relação ao local onde guardava objetos, posteriormente evoluiu para não reconhecimento do local de sua moradia e de familiares, atualmente é incapaz de nomear objetos, cuidar de si, apresentando as vezes comportamento agressivo e situações de despir-se em público. Seu estado cognitivo atual, nos impossibilita realizar o teste miniMental para segmento. A literatura já traz que, o indivíduo portador da DA torna-se progressivamente incapaz de desempenhar atividades da vida diária como trabalho, lazer e vida social, além de cuidar de si mesmo, vestir-se ou alimentar-se, passando a depender de um cuidador. Na doença avançada, observa-se afasia, apraxia e agnosia. A paciente já fazia uso de Amitriptilina e Neozine, com o objetivo de retardar a evolução da doença, prescrevemos o medicamento Rivastigmina, não disponível pelo Sistema Único de Saúde, porém acessível por vias judiciais. O tratamento da DA envolve estratégias farmacológicas e intervenções psicossociais para o paciente e seus familiares. Os efeitos das drogas hoje aprovadas para o tratamento da DA limitam-se ao retardo na evolução natural da doença, permitindo apenas melhora temporária do estado funcional do paciente. No entanto não houve adesão ao medicamento prescrito, uma vez que a família tem baixo grau de instrução além de apresentar resistência quanto à troca ou manejo dos medicamentos usados atualmente.