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O início dos cuidados paliativos em pacientes com câncer de pâncreas está associado a melhora da qualidade de vida, aliviando o sofrimento da família e do paciente. O objetivo deste trabalho é relatar um caso de cuidados paliativos domiciliares acompanhado pelo Serviço de Atenção Primária do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Feminina, 86 anos, morava com o marido há 50 anos, com apoio de duas enteadas e um neto, recebeu diagnóstico de câncer de pâncreas em maio de 2017, sem possibilidade cirúrgica ou quimioterápica. Recebeu alta hospitalar para acompanhamento em unidade de saúde. A paciente foi incluída no Programa de Atenção Domiciliar em junho de 2017. Na primeira avaliação preservava atividades de vida diária e função cognitiva plena. Recebeu acompanhamento médico semanal até o óbito. Nas últimas duas semanas teve piora progressiva da independência funcional, necessitando de auxílio para alimentação, higiene pessoal e deambulação. As medicações para controle dos sintomas foram ajustadas diariamente para melhor conforto da paciente e dos cuidadores. Nas consultas domiciliares abordou-se aspectos psicológicos, sociais e espirituais do paciente e da sua família, acolhendo-os e respeitando seus temores e amparando-os nas suas fraquezas. Evidenciou-se o impacto do diagnóstico na dinâmica familiar, visto que o casal de idosos era previamente independente. A rede de apoio do casal, sentindo-se sobrecarregada com a progressão da doença e o intenso desgaste emocional, cogitou a institucionalização da paciente. A atuação da equipe foi fundamental nesse contexto, salientando a proximidade da terminalidade e o desejo manifestado pela paciente de ficar na sua casa. A rede de apoio foi fortalecida, a paciente evolui a óbito horas após a intervenção. A equipe esteve presente fornecendo declaração de óbito, orientando os cuidados com os esposo e mantém acompanhamento da reestruturação familiar.