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Criptococose em paciente usuária crônica de corticosteroides

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INTRODUÇÃO: A criptococose é uma infecção fúngica que pode acometer pacientes imunocompetentes e imunodeprimidos. Doses crônicas elevadas de corticoesteroides podem precipitar casos de imunossupressão e, portanto, proporcionar suscetibilidade a infecções fúngicas. OBJETIVO: Relacionar desfecho desfavorável de paciente com criptococose pulmonar ao uso crônico de corticosteroides. DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA: Paciente de 34 anos, enfermeira da UPA Alves Dias no município de Santo André, apresentava queixa principal de tosse não produtiva há cinco meses, calafrios e perda ponderal de 17 quilogramas. Como hábitos, referia uso indiscriminado de dexametasona intravenosa diariamente, há dois anos, devido à migrânea. A tomografia computadorizada de tórax evidenciou derrame pleural, abscesso e atelectasia de decúbito à esquerda. Através de laringotraqueobroncoscopia, biópsia transbrônquica e pesquisa histoquímica para fungos fez-se o diagnóstico de criptococose pulmonar. O líquor, a cultura de fungos e a hemocultura foram negativos para essa forma fúngica. Durante a internação, a paciente apresentou piora progressiva do quadro evoluindo com franca insuficiência respiratória e posterior óbito. DISCUSSÃO: Criptococose é uma micose sistêmica causada por fungos do complexo Cryptococcus spp. O envolvimento pulmonar na criptococose é o segundo mais frequente após o acometimento do sistema nervoso central. É possível que o desfecho trágico desse caso esteja relacionado ao deficiente status imunitário da paciente decorrente de sua automedicação com corticoesteroides, uma vez que o sucesso do tratamento de uma infecção fúngica depende não somente da terapêutica antifúngica adequada e otimizada, mas também da resposta imunológica do hospedeiro em questão. CONCLUSÃO: Considerando que o desfecho desfavorável da paciente possa ser atribuído ao uso irracional e indiscriminado de corticoterapia prolongada, isso poderia ter sido evitado por meio de um tratamento alternativo adequado para enxaqueca, até mesmo em serviços básicos de saúde, inclusive na própria UPA em que trabalhava.