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Corrimento Vaginal: Revisão para uma prática baseada em evidências na APS

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Introdução A abordagem sindrômica frente à queixa de corrimento vaginal é utilizada frequentemente na atenção primária à saúde (APS). Todavia, o avanço da medicina baseada em evidências tem trazido importantes contribuições que podem nos direcionar a uma condução clínica mais específica para as queixas e achados do exame ginecológico. Objetivo Revisar conteúdo de medicina baseada em evidências em suporte a tomada de decisões frente a queixa de corrimento vaginal na APS. Metodologia Realizou-se revisão bibliográfica de artigos da base JAMA-Evidence® sobre testes diagnósticos em situações de corrimento vaginal, utilizando-se como referência as 3 vulvovaginites principais (vaginose bacteriana, candidíase, tricomoníase). Discussão A probabilidade pré-teste considerada foi de 34% para vaginose bacteriana, 26% para candidíase vaginal e 10% para tricomoníase, adotando-se estudos de prevalência em APS como referência. As tabelas a seguir, resumem as principais evidências sobre como os principais sintomas e sinais diagnósticos (isolados ou em combinação) podem auxiliar na condução clínica frente à queixa de corrimento vaginal. A probabilidade pós-teste foi acima de 80% (limiar para diagnóstico presuntivo da vulvovaginite para tratamento específico evitando-se testes adicionais) nos seguintes casos: - Vaginose bacteriana: corrimento amarelado abundante, corrimento amarelado com odor fétido, corrimento com teste das aminas positivo. - Candidíase vaginal: corrimento branco grumoso com prurido ou sem odor fétido, corrimento com presença de inflamação e escoriações vulvares. - Tricomoníase: corrimento amarelado com inflamação vaginal com ou sem dispareunia, corrimento com trichomonas observada na microscopia. Conclusões Isoladamente, mesmo os resultados de microscopia não são definitivos para o diagnóstico de uma vulvovaginite. Existem sintomas e sinais clínicos que quando presentes associadamente oferecem probabilidade pós-teste de maior segurança para a conduta. Recomenda-se, assim, a adoção da medicina baseada em evidências visando reconhecer quais são os mais relevantes para o diagnóstico e manejo da queixa de corrimento vaginal.