Coordenação do cuidado em um abrigo de crianças: relato de experiência
Introdução: A violência contra a criança, no Brasil, é expressiva e precisa ser considerada como prioridade na agenda das políticas sociais A lei defende que se os direitos desses menores são violados por qualquer forma de violência, se pode adotar, como medida de proteção à vítima, o abrigamento. No Brasil, as crianças abrigadas estão entre o seguimento mais vulnerável da população. Os abrigos atuam em rede com outras instituições, sendo a Atenção Primária à Saúde (APS), a coordenadora do cuidado em saúde. Objetivo: Relatar a experiência de uma equipe da Estratégia da Saúde da Família na coordenação do cuidado em saúde de um abrigo social de crianças. Metodologia: O cenário é um abrigo social com 12 crianças, acompanhado por um equipe de saúde da família. Foi realizada reunião com os profissionais do abrigo e da equipe de saúde para identificação de demandas gerais e rede de apoio. Todas as crianças foram avaliadas por equipe multiprofissional, elaborando-se planilha de intervenção sistemática (PIS), para registro e elaboração de plano de ação. Para facilitação da comunicação entre os profisisonais do abrigo e a equipe de saúde, utilizamos grupo de whatsapp e google drive. Resultados: Observou-se que todos os abrigados necessitavam de algum tipo de acompanhamento em saúde mental (psicoterapia, encaminhamento para atenção secundaria, medicações), por carregarem histórias de intensa vulnerabilidade. A PIS foi importante para elaboração do plano de ação individual, identificação de demandas coletivas e como ferramenta de comunicação entre o abrigo e a APS. Conclusões: São muitos os desafios relacionados ao cuidado das crianças abrigadas. Os atributos e ferramentas da APS e MFC, bem como a comunicação efetiva entre as instituições envolvidas são essenciais nesse cuidado. Ações educativas de promoção de saúde e articulação com outras instituições e projetos sociais devem ser estimulados para fortalecimento de rede de apoio.