Contribuições do grupo balint para a relação médico-paciente
Esta pesquisa resulta de um mestrado, que se situa no território existencial do encontro clínico e no campo dinâmico dos fenômenos que o circundam. Objetiva examinar como o Grupo Balint contribui para um debate acerca da relação médico-paciente, dos limites biomédicos, e como leva a uma consequente ampliação das formas de cuidar e interagir com o usuário. O Grupo Balint é um grupo de reflexão que objetiva compartilhar as dificuldades intrínsecas à atividade assistencial, em especial questões complexas que emergem da interação entre profissionais, pacientes e suas famílias. Foram realizados 5 Grupos Focais e 5 Grupos Balint com profissionais de saúde da APS do Rio de Janeiro-RJ. Utilizamos conceitos das tecnologias leves do cuidado e de uma leitura Balintiana para avançar pela produção de subjetividades, ouvir as vozes presentes e tentar compreender o que se passa entre o profissional de saúde e o usuário. A potência do encontro revelou-se a questão mais central em todos os grupos, junto a ela as transferências e o fluxo de emoções na consulta; o trabalho em equipe; a importância da corresponsabilização com o usuário; a formação médica e o ensino da certeza; o excesso de demandas na APS; a solidão do profissional de saúde; a importância do silêncio e da escuta terapêutica; a crise relacional e uma profunda discussão acerca do grupo Balint como ferramenta de insight aos profissionais. Reconhecemos o método Balint como potente instrumento para fazer emergir questões associadas às tecnologias relacionais, pois insere-se numa perspectiva em que os profissionais trocam com seus pares dinâmicas e situações conflituais do cotidiano; reencenam caminhos e possibilidades relacionais; lidam com suas reações emocionais, ao passo que viabilizam uma zona de colaboração genuína, com a criação de lugares de discussão não existentes nos espaços institucionalizados da prática, a fim de ousar novos modos de agir.