Consultório na Rua e seus papéis possíveis: Função Técnica e Função Social
Objetivos: Descrever a construção das funções sociais e técnicas da equipe CnaR no fortalecimento de estratégias de cuidado compartilhado dentro da rede local de cuidado à população de rua da CAP 5.1 no Rio de Janeiro. Principais pontos: Quando dizemos que a equipe CnaR tem funções, queremos dizer que a sua existência acarreta certas consequências no território. Essas consequências podem ser esperadas (atribuídas pelos formuladores da política Nacional da População em Situação de rua - decreto 7053/2009 e Portarias 122 - 123) ou verificadas pela observação crítica do impacto que sua interação com o território mobiliza na clínica ampliada voltada as necessidades desta população. Relataremos nossas experiências evidenciando as coincidências e contradição entre a Função Técnica e a Função Social do CnaR, além de especular a respeito da existência de outras funções por nós desempenhadas, verificáveis no cotidiano e não atribuídas inicialmente. Função técnica: A Rede de Atenção à Saúde tem como eixo organizador a atenção básica centrada nas necessidades das pessoas e coletivos, assim, o atendimento à população em situação de rua deve partir necessariamente desse modelo, conforme sua base legal de funcionamento. Assim o Cnar se mostra simultaneamente uma ferramenta ordenadora do cuidado interdisciplinar compartilhado em saúde, equipe de matriciamento e equipamento de retaguarda de casos complexos envolvendo população de rua. Função social: Fortalecer na comunidade o valor da singularidade do sujeito em situação de rua, no cuidado centrado na pessoa e no autocuidado apoiado, associado a sua posição política-ideológica enquanto símbolo de uma cidadania possível de ser exercida pelo sujeito, mesmo em vulnerabilidade. Função Cotidiana: mediadora no “manejo de crise” no universo das relações do território.