Comunicação e Prática Médica: a quem serve a protocolização do cuidado?
Introdução: Atualmente, práticas e habilidades em saúde têm sido estudadas por suas implicações no contexto médico. Nesse sentido, discutir sobre comunicação no contato médico-paciente é essencial para que as relações de cuidado e vínculo sejam estabelecidas. Objetivos: Analisar aspectos inter-relacionais e de comunicação no estabelecimento da relação médico-paciente. Metodologia: Revisão bibliográfica em base de dados LILACS, BVS e Scholar Google com descritores “Relação médico-paciente” e “Comunicação em Saúde”, de 2007- 2017, em inglês e português. Discussão: Entender o processo de comunicação em uma visão simplista de um emissor que envia uma mensagem a um receptor rege a interpretação de uma prática médica paternalista, em que o paciente ouve e aceita as normas de forma dependente, prescindindo a lógica da comunicação e do cuidado. O processo de comunicar não deve ser restrito à técnica da entrevista clínica, em que é visto como simples transmissão de informações para diagnóstico e conduta, mas como processo de produção e apropriação de sentidos sociais, e daí a necessidade de valorização das subjetividades que se explicitam no encontro clínico. É necessário considerar o paciente em sua integralidade física, psíquica e social e não somente uma questão biológica a ser manejada. Além disso, o processo de comunicação na prática médica deve estar além do uso ou não-uso de certas frases, fórmulas, “passos” ou condutas, mas ter em mente a busca por interagir e por compreender o universo do outro, suas reais demandas e sofrimentos, longe da protocolização de uma empatia regimentada, que não garante que o profissional irá se dispor a acolher. Conclusão: É necessário pensar em um ensino e práticas de comunicação em saúde com base na subjetividade, na narrativa, nos significados e nas demandas para além de fórmulas engessadas de anamnese e de entrevistas médicas para a efetivação do encontro clínico e do cuidado.