81136

Balint: da teoria à prática vivenciada na residência em MFC da UFOP

Favoritar este trabalho

Introdução: As vivências, dificuldades e sentimentos gerados na consulta médica foram trabalhados em grupos de generalistas, por Michael Balint, médico-psicanalista húngaro, na década de 1950. Seu trabalho, baseado nas reflexões individuais e coletivas, apresenta comprovados impactos nas relações médico-paciente e nos desfechos - como melhor adesão ao tratamento e redução do burnout médico. Visando desenvolver metodologias que transformem a prática médica, o Programa de Residência em Medicina de Família e Comunidade da UFOP (PRMMFC-UFOP) incluiu essa atividade em seu cronograma desde sua criação. Devido a escassez de literatura e de experiências prévias, o processo de implantação e consolidação foi desafiador. Objetivo: Relatar a experiência do grupo Balint no PRMMFC-UFOP. Descrição da experiência: O grupo acontece a cada 15 dias, com 10-15 integrantes, incluindo preceptores e residentes. Destacam-se a condução rotativa entre os preceptores e os casos compartilhados espontaneamente - sem preparo prévio, como características importantes. Respeito e confidencialidade são pactuados antes das discussões. O coordenador do grupo faz cumprir tais normas. Ressalta-se que não se configura terapia grupal ou proposta de resolução dos casos. Discussão: No início, a atividade contava com auxílio de um psicanalista. À medida que o grupo evoluiu, pode caminhar sem auxílio contínuo, norteando-se pelas características essenciais e desejáveis dos grupos, descritas na normativa da Sociedade Balint Inglesa. Fatores como a experiência da vivência, a perenidade do grupo e seus componentes; e a capacitação de um preceptor sobre metodologias em cursos de imersão modificaram de forma positiva as atividades. Conclusão: Apesar das dificuldades, o grupo se desenvolve satisfatoriamente, promovendo nítidas modificações no modo de lidar com os pacientes. Capacita seus integrantes para a vivência do grupo Balint e vem promovendo maturidade nas discussões, com resultados positivos coletivamente, sendo importante ferramenta para o desenvolvimento profissional na Medicina de Família e Comunidade.