81734

Avaliação do risco cardiovascular por duas versões do escore de Framingham

Favoritar este trabalho

Introdução: A existência de 4 escores de Framingham implica em estratificações que podem divergir a depender da versão utilizada. Objetivo: Determinar a diferença entre a estratificação de 2 escores validados, Framingham D'Agostino 2008 e Framingham ATPIII 2002, no contexto de frequentadores da APS atendidos no Jardim Suiná, em Taboão da Serra-SP. Metodologia: Estudo observacional transversal com amostragem por conveniência realizado a partir da revisão de prontuários. Foram selecionados 284 pacientes entre 30 e 74 anos sem evento cardiovascular conhecido. Utilizando-se duas versões do escore de Framingham, procedeu-se a classificação individual de risco em baixo ou moderado/alto. Os dados foram analisados por meio de testes t-Student, Qui-Quadrado e coeficiente Kappa. Discussão: O risco calculado pelo escore de Framingham D'Agostino teve média de 16,41% DP±10,51%, enquanto a média do escore de Framingham ATPIII foi 11,66% DP±7,43%. A concordância entre as duas ferramentas foi moderada, kappa 0.55 (p<0.0001), sendo em média 4,8% maior (p<0.0001) o risco calculado pelo escore de Framingham D'Agostino em relação ao ATPIII. Em 195 pacientes a classificação foi de risco moderado/alto no Framingham atual, comparado a 139 na versão anterior. Observou-se que 21,12% da amostra (p<0.0001), 60 pacientes, foram classificados como baixo risco exclusivamente pelo ATPIII. A mudança desses 60 pacientes para o grupo de risco moderado/alto no escore atualizado foi associada ao sexo feminino, tratamento de hipertensão arterial, idade ≥60 anos, pressão arterial sistólica ≥140mmHg e colesterol total ≥160mg/dL. Conclusão: Ao utilizar o escore de Framingham desatualizado, 1 em cada 5 pacientes foi erroneamente alocado na categoria de baixo risco cardiovascular. Em face disso, escolher o escore de Framingham com calibração atualizada pode aumentar a detecção do risco cardiovascular e orientar com maior precisão o cuidado na APS.