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Introdução: As comunidades quilombolas são compostas por indivíduos descendentes de escravos africanos no Brasil, que preservaram suas tradições ao longo do tempo. Apesar de, historicamente, estas comunidades viverem da agricultura e pesca, recentes mudanças em seus hábitos de vida contribuíram para o aumento do risco de problemas como hipertensão arterial sistêmica e dislipidemia. Objetivo: Descrever o risco cardiovascular (RCV) na comunidade do quilombo de Mangueiras. Metodologia: Participaram do estudo 148 indivíduos, com idade igual ≥ que 30 anos, de ambos os sexos, residentes no quilombo de Mangueiras, na cidade de Salvaterra, Pará, mediante assinatura de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Foram coletadas amostras de sangue para registro dos níveis séricos de colesterol total e triglicerídeos, HDL-c e glicemia de jejum, além de medições antropométricas para registro do índice de massa corporal (IMC) e circunferência abdominal (CA) e a aferição da pressão arterial (PA). O RCV foi calculado a partir do escore de Framingham (EF). Discussão: Houve predomínio do sexo feminino (62,5%), com média de idade de 48,2 anos (DP = 8,9 anos) e negros (100%). 35% das pessoas eram hipertensas previamente diagnosticadas, e 12,5% apresentaram valores médios de PA acima da normalidade. A média entre as variáveis clínicas investigadas foram: IMC=28,18 kg/m2; CA=87,55 cm; CT=189,90 mg/dl; LDL-C=116.3 mg/dl; HDL-C=46,92mg/dl; TG=124,45 mg/dl. Em relação ao EF, 70% da população apresentou baixo RCV, 25% RCV moderado e 5% alto RCV, semelhante a outros estudos nestas populações. Conclusão: Este estudo encontrou resultados importantes em relação à prevalência de HAS e RCV, segundo o EF. Deste modo, mesmo em comunidades tradicionais, a promoção de saúde e prevenção de agravos mostram-se como as estratégias mais efetivas para mudar a realidade das DCV, não apenas nestas populações, mas também na população em geral.