Atenção Primária Orientada a Comunidade
“Comunidade” pode referir-se às pessoas quanto aos locais onde as pessoas vivem. Não há como negar que tal palavra evoca sensações de harmonia, solidariedade e comunhão. Talvez por isso o conceito continue inspirando políticas públicas na área de saúde. Não é raro o médico de família e comunidade denominar-se apenas como “médico de família”, esquecendo ser responsável também pela comunidade. A orientação dos serviços apenas à demanda, focado no diagnóstico e tratamento dos sintomas e doenças, tem se mostrado insuficiente para melhorar o nível de saúde da população em seu conjunto – e às vezes de maneira prejudicial quando resulta em excessiva medicalização. Na declaração da WONCA, a orientação comunitária é mencionada repetidamente como atributo essencial da APS, mas deixa poucas pistas para sua concretização. Já o documento da Agenda Educacional da EURACT elucida o conceito, seus objetivos e pré-requisitos. Os fundamentos conceituais do que se conveniou chamar de Atenção Primária Orientada a Comunidade (APOC) foram descritos por Sidney Kark, ao relatar sua experiência pioneira em contextos rurais da África do Sul na década de 1940, em que assistência curativa combinava-se com a preventiva para uma população geograficamente definida. Tal modelo de integralidade em saúde no território identifica a importância da APOC como precursor filosófico da APS - conceituada posteriormente na célebre Conferência de Alma-Ata. A APOC apresenta uma metodologia sistemática dividida em: definição e caracterização da comunidade; decisão de prioridades; diagnóstico comunitário; planejamento e intervenção; e avaliação do impacto e eficácia. Uma etapa essencial inclui envolver a própria comunidade em todo o processo. A Medicina de Família e Comunidade, com seu enfoque no cuidado integral do paciente, abraça a proposta do cuidado orientado para a comunidade, todavia, muitos médicos de família assistentes e professores não parecem estar bem informados do conceito da APOC.