Análise sistemática da interface Saúde Mental e Atenção Primária a Saúde
Introdução: A Atenção Primária à Saúde é fundamental na poliarquia na Rede de Atenção Psicossocial, devido à base territorial permitir uma adequada comunicação, estando sob uma objetividade histórica e social das políticas públicas. A produção acadêmica no País, apresenta uma potencialidade crítica de leitura dessa realidade histórica, organizacional e hermenêutica. Objetivo: Analisar os temas da produção científica brasileira sobre a interface Saúde Mental e Atenção Primária à Saúde. Metodologia: Análise sistemática e temática, utilizando unidades de referência (UR) Corpus: Foram analisadas 51 produções científicas na área ensino/extensão de 2010 a 2017. Campos: 1º Enfermagem (13); 2º Psicologia (12); 3º Saúde Pública/Coletiva/Medicina Social (10); 4º Saúde da Família (5); 5º Outros (11). Discussão: Os principais núcleos de sentido foram os seguintes: 1º Tecnologias (24 UR): Subtemas: 1ºA Apoio Matricial (16 UR). 1ºB Educação em Saúde (6 UR). 1ºC Fala e escuta (2º UR). 1º D Abordagem Familiar (1 UR) e Terapia Comunitária (1 UR). 2º Percepção e Imaginário dos Atores Sociais (11 UR). 3º Saúde Mental na Atenção Básica (8 UR). 4º Atuações Profissionais (6 UR). 5º Saúde Mental do Trabalhador (2 UR). Portanto, o tema Apoio Matricial apresentou-se mais emergente, tendo como síntese de sentido que análises nacionais e internacionais destacam a descentralização e a retaguarda de especialistas em termos de saúde mental, visando acompanhamento longitudinal, construção de vínculos, projeto terapêutico singular, integralização da rede, acessibilidade, redução do estigma, cuidado territorial e a educação permanente, entretanto existem precarizações do trabalho, formação acadêmica insuficiente, ausência da educação em saúde e atendimento centrado na consulta médica. Conclusão: Existem contradições ideológicas entre discursos progressistas e práticas conservadoras e burocráticas e uma ambivalência entre práticas psicossociais baseadas no dialogismo e práticas manicomiais, excessivamente centralizadas na medicação, na consulta individual ou em encaminhamentos precoces para especialistas. Justifica-se que a Rede de Atenção Psicossocial é incipiente.