Análise dos motivos de consulta e avaliações de encontros de EC
É necessário que os profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) realizem registro adequado das consultas para ter informações claras e compreensíveis sobre sua prática. Considera-se o motivo de consulta componente essencial no registro e ele se estabelece através das informações expressas pelo paciente no início do encontro. Deve ser registrado com a rúbrica e código da Classificação Internacional para Assistência Primária (CIAP). Também devem ser registrados com acurácia as avaliações/diagnósticos realizados pelos profissionais, através do método de sistematização SOAP (subjetivo, objetivo, avaliação e plano). Entender os principais motivos de consultas e consequentes avaliações realizadas pelos profissionais orienta a prática clínica e avalia a probabilidade pré teste dos problemas de saúde. Diante do exposto, o objetivo do trabalho é descrever os principais motivos de consulta, e relacionar os mesmos com as avaliações dos profissionais de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) da região Oeste de São Paulo (SP). Os dados analisados correspondem ao registro de atendimentos de 4 equipes da estratégia de saúde da família (ESF) compostas por um médico e um enfermeiro, de uma UBS de SP, no período de agosto de 2015 a março de 2017, registrado através de interface eletrônica criada no serviço para realizar a consolidação dos dados de produção de consultas. Foram analisados 23.028 encontros de episódio de cuidado, de 20.177 consultas diferentes, 52% de médicos e 44% de enfermeiros. Um exemplo de resultado obtido mostra que nesta UBS, uma pessoa que chega se queixando de tosse tem 55% de chance de ter um quadro codificado como IVAS (Infecção aguda do aparelho respiratório superior), enquanto apenas 3,6% de chance de ser asma. Conhecer os principais motivos de consulta possibilita repensar a prática clínica, auxiliar em decisões diagnósticas e organizar o serviço a partir da realidade do território de abrangência.